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O que pode o cinema

  • 19 de mai.
  • 4 min de leitura

Esta é a questão do Festcurtas BH, dedicado aos filmes de curta-metragem que acontece no Cine Humberto Mauro até o dia 8 de outubro


Cena em uma floresta durante o dia, com duas pessoas parcialmente enterradas no chão entre folhas secas e árvores ao fundo. Apenas figuras de traseiros femininos são visíveis para fora do terreno.
BORDERHOLE, da Mostra Extravasamentos

Começa hoje no Cine Humberto Mauro a 19ª edição do Festcurtas BH (Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte), trazendo 147 filmes selecionados entre 2.319 inscrições de 98 países. Divididos entre as mostras competitivas, paralelas e especiais, os curtas representam uma amostra significativa da atual produção cinematográfica nacional e internacional, e o público poderá conferir como produções em curta-metragem têm expressado de forma inquieta e inventiva temas urgentes da atualidade como política, memória, corpo, gênero e espaço urbano.


Grupo de homens usando trajes e adornos tradicionais posa ao ar livre, olhando diretamente para a câmera.
THE BEAST (São Paulo + Brasil + África do Sul), da Mostra Competitiva Brasil
Duas pessoas indígenas com adornos de cabeça típicos vistas de costas caminham por uma plantação verde extensa sob um céu claro.
AVA MARANGATU (Minas Gerais + Mato Grosso do Sul), da Mostra Competitiva Minas

Divididas nas categorias Minas, Brasil e Internacional, as mostras competitivas vão premiar os melhores curta-metragens com prêmios em dinheiro, serviços nas áreas de montagem e finalização de filmes e o Troféu Capivara. Sete filmes foram selecionados para a Mostra Minas. E da Mostra Internacional participam filmes de 16 países: Alemanha, Argentina, Áustria, China, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Índia, Marrocos, México, Moçambique, Polônia, Portugal e Turquia.


Nas demais mostras, paralelas e especiais, serão exibidos ao todo 69 filmes. A a Infantil contempla crianças de até 12 anos. A Maldita reúne filmes com temática diversa — serão exibidos quatro curtas nacionais, que abordam o horror, o terror e o nonsense ou trash. A Animações evidencia o caráter autoral e experimental.

A mostra Engajamentos Contemporâneos reúne filmes que estão fortemente situados às representações de relações de opressão e poder. Sentimentos de injustiça, revolta e indignação diante das desigualdades do mundo contemporâneo são expressos nestas produções através de estéticas e estilos diversos — narrativa clássica, formatos experimentais, documentário televisivo ou melodramático. Está dividida em duas sessões: Territórios — Espaços Políticos e Mulher — Corpo Político.


Uma boa nova do Festival é a Mostra Atravessamentos do Presente, que apresenta um conjunto de filmes que trespassam o quadro e produzem deslocamentos de imagens, de palavras e de tempos. Os curtas expressam passagens para outras problemáticas: a guerra, a política, o corpo, a memória. Está dividida em duas sessões: Disputas do Cotidiano e Percursos de Memória, duas facetas das inquietações sugeridas pelos filmes. Os curtas registram ou rememoram personagens e situações, ao mesmo tempo em que refletem sobre questões formais de construção cinematográfica.

A mostra Extravasamentos traz filmes que apresentam a relação do fazer cinematográfico com as tensões do mundo e a dinâmica histórica.


Especiais

As mostras especiais têm curadoria de pesquisadores do audiovisual convidados. A Mostra Documentário: Invenção de Formas/Pensamento Crítico tem curadoria de Naara Fontinelle e exibirá 18 filmes brasileiros produzidos entre 1968 e 1978, que expressam uma elaboração crítica da objeção cinematográfica ao espírito capitalista em emergência no contexto da ditadura militar e dialogam com a atual situação brasileira.

A Radicales Libres tem curadoria de Jorge Yglesias, professor da Escola Livre de Cinema de Cuba. Serão exibidos 15 filmes de diversos países da América Latina — Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela — produzidos entre a década de 1960 e a primeira metade da década de 1980, e compartilham um discurso de luta contra as ditaduras militares vigentes em cada país.


Cena surrealista com personagens de aparência fantástica, incluindo uma figura feminina com cabelos que lembram penas, interagindo com criaturas exóticas em um cenário mágico ao pôr-do-sol.
AENIGMA (Grécia), da Mostra Extravasamentos

O Festcurtas BH ainda oferece cursos, seminários e duas oficinas formativas: Fundamentos do Som para a Imagem, ministrada por Edwaldo Mayrinck Jr, que é engenheiro eletrônico e especialista em manutenção, instalação e operação de equipamentos de áudios cinematográficos pela National Film Board of Canadá; e Cinema Documentário e Novas Mídias de Apreensão dos Acontecimentos, que será ministrada por Dácia Ibiapina, cineasta, professora e pesquisadora da Faculdade de Comunicação da UnB.


Serão realizados ainda dois seminários: Documentário: Invenção de Formas/Pensamento Crítico (1964–1983), ministrado por Naara Fontinele, pesquisadora, curadora, doutoranda em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Université Sorbonne Nouvelle — Paris. E Vestígios de um Cinema Radical, comandado por Jorge Yglesias. Haverá também um debate, no dia 5 de outubro, com o tema Cinema, Engajamento e Invenção de Formas. As discussões terão como base as seguintes perguntas: por que fazer uma imagem, com quem e para quem? Contra quais outras imagens ela se confronta? Que história queremos?


Destaque para os debates que visam analisar a relação entre engajamento político e as formas no cinema, nas perspectivas entrelaçadas de pesquisa, curadoria, ensino e produção, que serão realizados por professores e pesquisadores como Amaranta Cesar, doutora em Estudos Cinematográficos (Paris 3 — Sorbonne Nouvelle) e idealizadora e curadora do CachoeiraDoc; Marcelo Pedroso, diretor de longas-metragens, educador audiovisual e doutorando em Comunicação da UFPE; Sérgio Péo , arquiteto, cineasta idealizador e presidente da primeira Cooperativa de Realizadores Cinematográficos/Corcina; e Vinícius Andrade , doutorando em Comunicação Social pela UFMG, mestre em Comunicação Social pela UFPE.


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Este artigo foi originalmente publicado na Revista Bravo! em Setembro/2017. O conteúdo faz parte do acervo de textos da autora e está sendo republicado aqui como registro de portfólio. Você pode conferir a publicação original neste link.

 
 
 

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