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A Invenção de Meirelles

  • Foto do escritor: Beatriz Goulart
    Beatriz Goulart
  • 5 de mai.
  • 2 min de leitura

Um livro com o frescor das viagens de Júlio Verne e a profundidade especular de Jorge Luis Borges é A Cidadela, de Mauricio Meirelles, a ser lançado dia 7, pela editora Miguilim, na Livraria da Rua*, em Belo Horizonte.



 

Escrito com letras laranja em fundo azul escuro, tudo no livro concorre para a queda do leitor num emaranhado obscuro de buscas e perdas. Baseado em relatos de um tenente desaparecido, essa a primeira armadilha, a história trata do rastreio de evidências de uma construção desconhecida, uma suposta fortificação, no deserto do Saara.

 

O primeiro motivo da expedição - a busca de militares desaparecidos e da própria cidadela - parte de uma questão política da perda de hegemonia do colonizador na colônia, no caso França e Argélia. O livro, a partir daí, pode incitar a uma leitura crítica, histórica, em algumas de suas páginas, pois ali estão dispostos o colosso imperial que submete ou mesmeriza os que ousam desafiar seu mecanismo. Mas a narrativa vai além, é movediça, e, de um pressuposto a outro, os personagens arrastam o leitor a dobraduras no tempo, no espaço, deslocando o senso comum, com o auxílio de elementos como bússolas e mapas, espelhos, espectros, temor e solidariedade.

 

Entre as páginas escritas e as ilustrações de Adams Carvalho há páginas vazias, que, à medida em que a história se desenvolve, tornam-se mais intrigantes, parecendo revelar o próprio estado interior dos personagens, que tentam, sem conseguir, atribuir sentido aos estranhos acontecimentos que vivenciam no interior da cidadela. Além das ilustrações, a concepção gráfica do livro constrói camadas de sentido que envolvem os acontecimentos narrados, dando novos significados a estes.

 

O escritor e arquiteto mineiro Maurício Meirelles é, também, fundador e editor – junto da escritora Maria Esther Maciel, do jornalista José Eduardo Gonçalves e do designer Julio Abreu – da revista literária Olympio, lançada em maio de 2018, com segunda edição publicada em 2019.

 

*rua Antônio de Albuquerque, 913 – Savassi.

 

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Este artigo foi originalmente publicado na Revista Bravo! em [Março/2019]. O conteúdo faz parte do acervo de textos da autora e está sendo republicado aqui como registro de portfólio.

 

 

 
 
 

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